todos os poetas já foram devorados um dia
também serei ou já tenha sido

minhas pernas minhas vontades
a estas elas não correspondem já
meu braço esquerdo se debruça por
aquelas coisas que não são minhas
meu braço direito dá-se pelas coisas
não minhas como se fossem eu

nas aparições ordinárias estão meus olhos
cobrando sua autonomia: quero ver isto quero
ver aquilo outro (onde
não apareço já que por imaginoso
não caibo ? sou engrupido
) me enxergam onde não estou
como -eu-

escuto meus ouvidos em notas populares
em repetições de batidas iguais & módicas ?
a moda mais comum exige mais vaidade do corpo:
eu sou um magrelo que não sabe dançar

nos dentes dos outros
rasgam-se as camisas as calças as blusas
que nunca vão alcançar
destaque nos cabides das magazines ? nestes
é que me visto eu ? estes
dentes cerraram minha pele & minha carne talvez. (
talvez eles me estourem

). meu coração meu pensamento: os
deterei nas minhas palavras

a TV diz que meu corpo
já não é mais meu.



Escrito por userID: 41214165287firstName: Isac às 03:04:00 PM
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